São Paulo, 7 de Fevereiro de 2012
O que é a Psicoterapia Psicanalítica?

A abordagem em Psicoterapia Psicanalítica utiliza a teoria da técnica original da Psicanálise, com seus principais mestres  como Freud, Klein, Winnicott, e Bion (além de tantos outros significativos, como Steiner, Rank, Green, etc.)

Entretanto essa proposta de terapia foi idealizada na busca de atender à  nossa realidade atual - econômica (pouco dinheiro para investir em terapia) e urbana (trânsito caótico, falta de tempo, dificuldade de locomoção), reduzindo o número de sessões semanais recomendadas pela psicanálise tradicional, e adaptando a técnica psicanalítica a essa mudança.

A intenção é ajudar a diminuir o sofrimento do paciente em um espaço de tempo mais curto (se comparada ao tratamento psicanalítico), - mas nem por isso menos eficiente - focando as questões emocionais mais significativas naquele momento de vida da pessoa.

A Psicanálise

Criada por Sigmund Freud (1856-1939), a Psicanálise obteve uma grande repercussão no campo da psiquiatria e da psicologia ao longo do século XX até os dias de hoje. Durante o curso da ecolução de seu trabalho, o próprio Freud modificou muitas vezes suas formulações, revisando conceitos e aperfeiçoando procedimentos técnicos à medida que sua experiência clínica ia se enriquecendo. O mesmo aconteceu após a morte de Freud, graças às obras de seus discípulos e seguidores. Atualmente, a teoria psicanalítica é bastante complexa e os livros de Psicanálise ocupam um lugar de destaque em qualquer biblioteca de psicologia. No entanto, existem alguns princípios básicos que não foram modificados, constituindo a essência do ponto de vista psicanalítico, como a noção de determinismo psíquico e a existência do inconsciente.

Determinismo Psíquico: Todos os fenômenos psíquicos e comportamentais, inclusive aqueles que são aparentemente irracionais, fortuitos e sem importância, são passíveis de serem explicados e compreendidos dentro do contexto de vida daquela pessoa. Tudo tem uma razão de ser, tem um significado. Através de uma pesquisa, caso a caso, pode-se tentar encontrar a razão de ser e o sentido dos fenômenos aparentemente acidentais e sem nexo.

Inconsciente: Para a Psicanálise uma boa parte da vida psíquica do indivíduo se dá sem que ele saiba do que se trata. O inconsciente diz respeito ao conjunto de mecanismos e processos psíquicos que atuam sobre a conduta do indivíduo, mas escapam ao âmbito da sua atividade inconsciente, não ficando facilmente disponíveis para a reflexão e a memória. O inconsciente aflora irresistivelmente à consciência nos sonhos, atos falhos e sintomas físicos e psíquicos.

 

Linhas de estudo e formação

A Psicoterapia Psicanalítica usa a mesma base teórica da Psicanálise, e estuda todos seus grandes autores como Sigmund Freud, Melanie Klein, D. W. Winnicott, W. Bion, A. Green, J. Steiner, e tantos outros.

Existem cursos específicos para a formação em Psicoterapia Psicanalítica, oferecidos em nível de Especialização. Em São Paulo, a USP oferece esse curso que tem duração de três anos e a exigência de uma monografia de conclusão de curso, orientada por um dos professores ou supervisores do curso, para a obtenção do título de especialista. Esse curso é Coordenado pelo Prof. Dr. Ryad Simon.

Link para maiores informações sobre o curso:

www2.usp.br

 

O que a Psicoterapia pode fazer por você?

Há quem acredite que a tarefa psicoterapêutica é restrita ao campo do tratamento de problemas mentais. Nesse caso, a pessoa a ser beneficiada por uma terapia seria somente o paciente seriamente comprometido do ponto de vista psíquico, com severas dificuldades de relacionar-se com o mundo e consigo mesmo devido a um sofrimento emocional profundo, ou aqueles pacientes que perderam totalmente o contato com a realidade de forma permanente ou temporária. Esse tipo de entendimento deve-se ao fato de ainda haver muito preconceito e confusão quanto ao trabalho do psicólogo que é visto como "médico de loucos".

Entretanto, o campo de abrangência da psicoterapia é muito vasto. A psicoterapia é um instrumento a serviço de maior autoconhecimento, da ampliação de possibilidades existenciais, da transformação da personalidade, da busca por um sentido na vida. Assim sendo, todas as pessoas podem vir a se beneficiar do trabalho psicoterápico, independentemente de estarem em estado de desequilíbrio do ponto de vista psíquico. Nos casos dos que não se encontram gravemente enfermas, as razões que podem levar cada pessoa à procura por uma ajuda terapêutica é extremamente pessoal e subjetiva.        

 

Quando devo procurar a ajuda de um psicólogo?

As pessoas procuram o psicólogo clínico quando querem diminuir o sofrimento psíquico, conhecer-se melhor, modificar alguns modos de agir, compreender seus relacionamentos, lidar com suas angústias, aproximar-se de seus próprios sentimentos, entender o que está acontecendo em suas vidas, etc. As pessoas podem procurar um psicólogo clínico quando não estão felizes em suas vidas, seja em seus relacionamentos sociais, familiares, conjugais, ou em seu trabalho ou profissão. Podem também procurar o psicólogo clínico em um momento de doença física ou em um momento de depressão e tristeza profunda. Em qualquer dos casos, a procura pelo psicólogo é sempre a procura para um trabalho com a própria subjetividade.

Há também aquelas situações em que a decisão de procurar um psicólogo não parte da própria pessoa. Elas podem procurar terapia por indicação de um outro profissional, como o médico, o professor, o fisioterapeuta, o nutricionista, enfim, a terapia pode funcionar muitas vezes como um apoio a outros tratamentos.

Além disso, um indivíduo seriamente prejudicado do ponto de vista psíquico pode não estar em condições de refletir sobre sua própria vida, seus comportamentos e sentimentos. Em geral suas atitudes inadequadas, sua tensão e seu sofrimento são melhor percebidos por aqueles com quem convivem diariamente. Nesses casos caberá às pessoas que o cercam sugerir, indicar e até mesmo encaminhá-lo para o atendimento psicológico necessário.

Isso também acontece com as crianças, que não têm condições de decidir e procurar sozinhas pela ajuda do psicólogo. Elas expressam sua dor e ansiedade através de vários comportamentos como choro, tristeza, birra, insônia ou sono em excesso, adoecimento, irritabilidade, pequenos roubos cometidos ou mentiras contadas em excesso, ou qualquer outro comportamento que se perceba inadequado para a idade. Nesses casos, cabe aos pais a tarefa de buscar o profissional que possa auxiliá-los e orientá-los nessas situações.

Fonte: Guia Psi - Quando e quem procurar se você ou alguém de sua família necessita de atendimento psicológico. Dra. Marília Ancona-Lopez e Dr. Luís Cláudio Mendonça Figueiredo (Organizadores). São Paulo: Editora Marco Zero, 1990.

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